Pag. 81.—I. [Ambar.] As praias do Ceará eram n'esse tempo muito abundantes de ambar que o mar arrojava. Chamavam-lhe os indigenas, Pira repoti esterco de peixe.
II. [Coatyá.]—pintar. A historia menciona esse facto de Martim Soares Moreno se ter coatyado quando vivia entre os selvagens do Ceará.
Pag. 82.—[Coatyabo.]—A desinencia abo significa o objecto que soffreu a acção do verbo, e talvez provenha de aba, gente, creatura.
Pag. 90.—[Imbú.]—Fructa da Serra do Araripe que não vem do littoral. É saborosa e semelhante ao cajá.
Pag. 93.—I. [Tupinambás.]—Nação formidavel, ramo primitivo da grande raça tupy. Depois de uma resistencia heroica, não podendo expulsar os portuguezes da Bahia emigraram até o Maranhão onde fizeram alliança com os francezes que já então infestavam aquellas paragens. O nome que elles se davam significava—gente parente dos Tupys—de Tupy—anama—ba.
II. [Maracatim.]—Grande barco que levava na proa tim—um maracá. Aos barcos menores ou canoas chamavam igara—de ig—agua—e jara, senhor; senhora d'agua.
Pag. 95.—[Moacyir.]—Filho do soffrimento—de moacy, dôr e ira, desinencia, que significa sahido de.
Pag. 96.—[Faxa.]—É o que chamam vulgarmente typoia; rejeitou-se o termo proprio do texto por andar degradado no estylo chulo.
Pag. 97.—[Chupou tua alma.]—Creança em tupy é pitanga, de piter chupar e anga alma; chupa alma. Seria porque as creanças attrahem e deleitam aos que as vêem; ou porque absorvem uma porção d'alma dos paes? Cauby fala n'esse ultimo sentido.
Pag. 99.—[Cariman.]—Uma conhecida preparação de mandioca. Caric, correr, mani, mandioca. Mandioca escorrida.