Martim sentiu perpassar nos olhos o somno da morte: porém logo a luz inundou os seios d'alma: a fôrça exhuberou no coração. Reviveu os dias passados melhor do que os tinha vivido: fruiu a realidade de suas mais bellas esperanças.

Eil-o que volta á terra natal, abraça sua velha mãe, revê mais lindo e terno o anjo puro dos amores infantis.

Mas porque, mal de volta ao berço da patria, o joven guerreiro de novo abandona o tecto paterno e demanda o sertão?

Já atravessa as florestas; já chega aos campos do Ipú. Busca na selva a filha do Pagé. Segue o rastro ligeiro da virgem arisca, soltando á brisa com o crebro suspiro o doce nome:

—Iracema! Iracema!...

Já a alcança e cinge-lhe o braço pelo talhe esbelto.

Cedendo á meiga pressão, a virgem reclinou ao peito do guerreiro, e ficou alli tremula e palpitante como a timida perdiz, quando o terno companheiro lhe arrufa com o bico a macia penugem.

O labio do guerreiro suspirou mais uma vez o doce nome e soluçou, como se chamara outro labio amante. Iracema sentiu que sua alma se escapava para embeber-se no osculo ardente.

E a fronte reclinava, e a flôr do sorriso desabrochava já para deixar-se colher.

Subito a virgem tremeu; soltando-se rapida do braço que a cingia, travou do arco.