O somno voltou aos olhos do Pagé.

Emquanto Cauby pendurava no fumeiro as peças de caça, Iracema colheu a sua alva rede de algodão com franjas de pennas, e accommodou-a dentro do urú de palha trançada.

Martim esperava na porta da cabana. A virgem veiu para elle:

—Guerreiro, que levas o somno de meus olhos, leva á minha rede tambem. Quando n'ella dormires, falem em tua alma os sonhos de Iracema.

—A tua rede, virgem dos Tabajaras, será minha companheira no deserto: venha embora o vento frio da noite, ella guardará para o extrangeiro o calor e o perfume do seio de Iracema.

Cauby sahiu para ir á sua cabana, que ainda não tinha visto depois da volta. Iracema foi preparar o moquem da viagem. Ficaram sós na cabana o Pagé que resonava, e o mancebo com a sua tristeza.

O sol transmontando, já começava a declinar para o occidente, quando o irmão de Iracema tornou da grande taba.

—O dia vae ficar triste, disse Cauby. A sombra já caminha para a noite. É tempo de partir.

A virgem pousou a mão de leve no punho da rêde de Araken.

—Elle vae! murmuraram os labios tremulos.