Cauby avançando sempre, sumira-se entre a densa ramagem.

O seio da filha de Araken arfou, como o ésto da vaga que se franja de espuma, e soluçou. Mas sua alma, negra de tristura, teve ainda um pállido reflexo para illuminar a sêcca flôr das faces. Assim em noite escura vem um fogo fatuo luzir as brancas areias do taboleiro.

—Extrangeiro, toma o ultimo sorriso de Iracema... e foge!

A bôcca do guerreiro pousou na bôcca mimosa da virgem. Ficaram ambas assim unidas como dois fructos gemeos do araçá, que sahiram do seio da mesma flôr.

A voz de Cauby chamou o extrangeiro. Iracema abraçou para não cahir o tronco de uma palmeira.

[X]

Na cabana silenciosa medita o velho Pagé.

Iracema está apoiada no tronco rudo, que serve de esteio. Os grandes olhos negros, fitos nos recortes da floresta e rasos de pranto, parece estão n'aquelles olhares longos e tremulos enfiando e desfiando os aljofares das lagrimas, que rorejam as faces.

A ará, pousada no girau fronteiro, alonga para sua formosa senhora os verdes tristes olhos. Desde que o guerreiro branco pisou a terra dos Tabajaras, Iracema a esqueceu.

Os roseos labios da virgem não se abriram mais para que ella colhesse entre elles a polpa da fructa ou a papa do milho verde; nem a dôce mão a affagára uma só vez, alisando a penugem dourada da cabeça.