Se repetia o mavioso nome da senhora, o sorriso de Iracema já não se voltava para ella, nem o ouvido parecia escutar a voz da companheira e amiga, que d'antes tão suave era ao seu coração.

Triste d'ella! A gente tupy a chamava jandaia, porque sempre alegre estrugia os campos com seu canto fremente. Mas agora, triste e muda, desdenhada de sua senhora, não parecia mais a linda jandaia, e sim o feio urutão que sómente sabe gemer.

O sol remontou a umbria das serras; seus raios douravam apenas o viso das eminencias.

A surdina merencoria da tarde, que precede o silencio da noite, começava de velar os crebros rumores do campo. Uma ave nocturna, talvez illudida com a sombra mais espessa do bosque, desatou o estridulo.

O velho ergueu a fronte calva:

—Foi o canto da inhuma que accordou o ouvido de Araken? disse elle admirado.

A virgem estremecêra; já fóra da cabana voltou-se para responder á pergunta do Pagé:

—É o grito de guerra do guerreiro Cauby!

Quando o segundo pio da inhuma resoou, Iracema corria na matta, como a corça perseguida pelo caçador. Só respirou chegando á campina, que recortava o bosque, como um grande lago.

Quem seus olhos primeiro viram, Martim, estava tranquillamente sentado em uma sapopema, olhando o que passava alli. Contra, cem guerreiros tabajaras com Irapuam á frente, formavam arco. O bravo Cauby os affrontava a todos, com o olhar cheio de ira e as armas valentes empunhadas na mão robusta: