—É tempo de applacar as iras de Tupan, e calar a voz do trovão.

Disse e partiu da cabana.

Iracema achegou-se então do mancebo; levava os labios em riso, os olhos em jubilo:

—O coração de Iracema está como o abaty n'agua do rio. Ninguem fará mal ao guerreiro branco na cabana de Araken.

—Arreda-te do inimigo, virgem dos Tabajaras; respondeu o extrangeiro com asperesa de voz.

Voltando brusco para o lado oposto, furtou o semblante aos olhos ternos e queixosos da virgem.

—Que fez Iracema, para que o guerreiro branco desvie seus olhos d'ella, como se fôra o verme da terra?

As falas da virgem resoaram docemente no coração de Martim. Assim resoam os murmurios da aragem nas frondes da palmeira. O mancebo sentiu raiva de si, e pena d'ella:

Não ouves tu, virgem formosa? exclamou elle apontando para o antro fremente.

—É a voz do Tupan!