—Um guerreiro só deve protecção a Deus e a suas armas. Não carece que o defendam os velhos e as mulheres.

—Não vale um guerreiro só contra mil guerreiros; valente e forte é o tamanduá, que mordem os gatos selvagens por serem muitos e o acabam. Tuas armas só chegam até onde mede a sombra de teu corpo; as armas d'elles voam alto e direitos como o anajê.

—Todo o guerreiro tem seu dia.

—Não queres tu que morra Iracema, e queres que ella te deixe morrer!

Martim ficou perplexo:

—Iracema irá ao encontro do chefe Pytiguara e trará a seu hospede as falas do guerreiro amigo.

O Pagé sahiu emfim de sua contemplação. O maracá rugiu-lhe na dextra; tiniram os guisos com o passo hirto e lento.

Chamou elle a filha de parte:

—Se os guerreiros de Irapuam vierem contra a cabana, levanta a pedra e esconde o extrangeiro no seio da terra.

—O hospede não deve ficar só; espera que volte Iracema. Ainda não cantou a inhuma.