A virgem estremeceu por seus irmãos. A fama do bravo Poty, irmão de Jacaúna, subio das ribeiras do mar ás alturas da serra; rara é a cabana onde já não rugiu contra elle o grito da vingança, porque em quasi todas o golpe de seu valido tacape deitou um guerreiro tabajara em seu camocim.
Iracema cuidou que Poty vinha á frente de seus guerreiros para livrar o amigo. Era elle sem duvida que fizera retroar o buzio das praias, no momento do combate. Foi com um tom misturado de doçura e tristeza que replicou:
—O extrangeiro está salvo; os irmãos de Iracema vão morrer, porque ella não falará.
—Saia essa tristeza de tua alma. O extrangeiro partindo-se de teus campos, virgem tabajara, não deixará n'elles rasto de sangue, como o tigre esfaimado.
Iracema tomou a mão do guerreiro branco e beijou-a.
—Teu sorriso, continúa elle, apagou a lembrança do mal que elles me querem.
Martim ergueu-se e marchou para a porta.
—Onde vae o guerreiro branco?
—Adeante de Poty.
—O hospede de Araken não pode sahir d'esta cabana, porque os guerreiros de Irapuam o matarão.