Levanta-se no resomno da noite um grito vibrante, que remonta ao céo.

Martim ergue a fronte e inclina o ouvido. Outro clamor semelhante resoa. O guerreiro murmura, que o ouça a virgem e só ella:

—Escutou Iracema, cantar a gaivota?

—Iracema escutou o grito de uma ave que ella não conhece.

—É a atyaty, a garça do mar, e tu és a virgem da serra, que nunca desceu as alvas praias onde arrebentam as vagas.

—As praias são dos Pytiguaras, senhores das Palmeiras.

Os guerreiros da grande nação que habitava as bordas do mar, se chamavam a si mesmos Pytiguaras, senhores dos valles; mas os Tabajaras, seus inimigos, por escarneo os apellidavam Potyuaras, comedores de camarão.

Iracema não quiz offender o guerreiro branco; por isso falando a respeito dos Pytiguaras, não lhes recusou o nome guerreiro que elles haviam tomado para si.

O extrangeiro reteve por um instante a palavra no seu labio prudente, emquanto reflectia:

—O canto da gaivota é o grito do guerra do valente Poty, amigo de teu hospede!