—Nenhum; Poty veiu só, com suas armas. Quando os espiritos máus da floresta separaram o guerreiro do mar de seu irmão, Poty veiu em seguimento do rastro. Seu coração não deixou que voltasse para chamar os guerreiros da sua taba; mas expediu seu cão fiel ao grande Jacaúna.
—O chefe Pytiguara está só; não deve rugir a inubia que chamará contra si todos os guerreiros tabajaras.
—É preciso para salvar o irmão branco; Poty zombará de Irapuam, como zombou quando combatiam cem contra ti.
A filha do Pagé, que ouvira callada, debruçou-se ao ouvido do christão:
—Iracema quer-te salvar e a teu irmão; ella tem seu pensamento. O chefe Pytiguara é valente e audaz; Irapuam é manhoso e traiçoeiro como a acauan. Antes que chegues á floresta, cahirás; e teu irmão da outra banda cahirá comtigo.
—Que fará a virgem tabajara para salvar o extrangeiro e seu irmão? perguntou Martim.
—Mais um sol e outro, e a lua das flores vae nascer. É o tempo da festa, em que os guerreiros tabajaras passam a noite no bosque sagrado, e recebem do Pagé os sonhos alegres. Quando estiverem todos adormecidos, o guerreiro branco deixará os campos do Ipú, e os olhos de Iracema, mas não sua alma.
Martim estreitou a virgem ao seio; mas logo a repelliu. O toque de seu corpo, doce como a assucena da mata, e quente como o ninho do beija flôr, espinhou seu coração; porque lhe recordou as palavras terriveis do Pagé.
A voz do christão disse a Poty o pensamento de Iracema; o chefe Pytiguara, prudente como o tamanduá, pensou e respondeu:
—A sabedoria fallou pela bôcca da virgem tabajara Poty espera o nascimento da lua.