E brandindo os arcos lançaram ao céo com a chuva das flechas o canto da lua nova:

"Veiu no céo a mãe dos guerreiros; já volta o rosto para vêr seus filhos. Ella traz as aguas, que enchem os rios e a polpa do cajú.

"Já veiu a esposa do sol; já sorri ás virgens da terra filhas suas. A doce luz accende O amor no coração dos guerreiros e fecunda o seio da joven mãe."

Cae a tarde.

Folgam as mulheres e os meninos na vasta ocara; os mancebos, que ainda não ganharam nome de guerra por algum feito brilhante, discorrem no valle.

Os guerreiros seguem Irapuam ao bosque sagrado, onde os espera o Pagé e sua filha para o mysterio da jurema. Iracema já accendeu os fogos da alegria. Araken está immovel e extactico no seio de uma nuvem de fumo.

Cada guerreiro que chega depõe a seus pés uma offerenda a Tupan. Traz um a succulenta caça; outro a farinha d'agua; aquelle, o saboroso piracem da trahira. O velho Pagé, para quem são estas dadivas, as recebe com desdem.

Quando foram todos sentados em torno do grande fogo, o ministro de Tupan ordena o silencio com um gesto, e tres vezes clamando o nome terrivel, enche-se do Deus, que o habita:

—Tupan!... Tupan!... Tupan!...

Tres vezes o echo ao longe repercutio.