Martim entristeceu; mas a voz da prudencia e da amizade penetrou em seu coração. Avançou para Iracema; e tirou do seio uma voz doce para acalentar a saudade da virgem:
—Mais affunda a raiz da planta na terra, mais custa arrancal-a. Cada passo de Iracema no caminho da partida, é uma raiz que lança no coração de seu hospede.
—Iracema quer-te acompanhar até onde acabam os campos dos Tabajaras, para voltar com o socego em seu peito.
Martim não respondeu. Continuaram a caminhar, e com elles caminhava a noite; as estrellas desmaiaram e a frescura da alvorada alegrou a floresta. As roupas da manhã, alvas como o algodão, appareceram no céo.
Poty olhou a mata e parou. Martim comprehendeu e disse a Iracema:
—Teu hospede já não pisa os campos dos Tabajaras. É o instante de separar-te d'elle.
[XVII]
Iracema pousou a mão no peito do guerreiro branco:
—A filha dos Tabajaras já deixou os campos de seus paes; agora pode falar.
—Que guardas tu em teu seio, virgem formosa do sertão?