Poty scismava. Em sua cabeça de mancebo morava o espirito de um abaeté. O chefe pytiguara pensava que o amor é como o cauim, o qual bebido com moderação fortalece o guerreiro, e tomado em excesso abate a coragem do heroe. Elle sabia quanto veloz era o pé do tabajara; e esperava o momento de morrer defendendo o amigo.

Quando as sombras da tarde entristeciam o dia, o christão parou no meio da mata. Poty accendeu o fogo da hospitalidade. A virgem desdobrou a alva rêde de algodão franjada de pennas de tucano e suspendeu-a aos ramos de arvore.

—Esposo de Iracema, tua rêde te espera.

A filha de Araken foi sentar-se longe, na raiz de uma arvore, como a cerva solitaria, que o ingrato companheiro afugentou do aprisco. O guerreiro pytiguara desappareceu na espessura da folhagem.

Martim ficou mudo e triste, semelhante ao tronco d'arvore a que o vento arrancou o lindo cipó que o entrelaçava. A brisa perpassando levou um murmurio:

—Iracema!

Era o balido do companheiro; a cerva arrufando-se ganhou o doce aprisco.

A floresta distillava suave fragrancia e exhalava harmoniosos arpejos; os suspiros do coração se difundiram nos murmures do deserto. Foi a festa do amor e o canto do hymeneo.

Já a luz da manhã coou na selva densa. A voz grave e sonora de Poty repercutio no susurro da mata:

—O povo tabajara caminha na floresta!