—A vingança é a honra do guerreiro, e Jacaúna ama o amigo de Poty.

O grande chefe Pytiguara levou além o formidavel tacape. O combate renhio-se entre Irapuam e Martim. A espada do christão. batendo na clava do selvagem fez-se pedaços. O chefe tabajara avançou contra o peito inerme do adversario.

Iracema silvou como a boicininga, e se arremessou ante a furia do guerreiro tabajara. A arma rigida tremeu na dextra possante e o braço cahio desfallecido.

Soava a pocema da victoria. Os guerreiros pytiguaras conduzidos por Jacaúna e Poty varriam a floresta. Os tabajaras, fugindo, arrebataram seu chefe ao odio da filha de Araken que o podia abater, como a jandaia abate o procero coqueiro roendo-lhe o cerne.

Os olhos de Iracema estendidos pela floresta, viram o chão juncado de cadaveres de seus irmãos; e longe o bando dos guerreiros tabajaras que fugiam em nuvem negra de pó. Aquelle sangue que enrubecia a terra era o mesmo sangue brioso que lhe ardia as faces de vergonha.

O pranto orvalhou seu lindo semblante.

Martim affastou-se para não envergonhar a tristeza de Iracema. Deixou que sua dor núa se banhasse nas lagrimas.

[XIX]

Poty voltou de perseguir o inimigo. Seus olhos se encheram de alegria vendo salvo o guerreiro branco.

O cão fiel o seguia de perto, lambendo ainda nos pellos do focinho, a marugem do sangue tabajara de que se fartára; o senhor o acariciava satisfeito de sua coragem e dedicação. Fora elle quem salvara Martim, alli trazendo com tanta deligencia os guerreiros de Jacaúna.