Jacaúna atacou Irapuam. Prosegue o horrivel combate que bastára a dez bravos, e não esgotou ainda a força dos grandes chefes. Quando os dois tacapes se encontram, a batalha toda estremece como um só guerreiro até ás entranhas.

O irmão de Iracema veio direito ao extrangeiro, que arrancara a filha de Araken á cabana hospedeira; o faro da vingança o guia; a vista da irmã assanha a raiva em seu peito. O guerreiro Cauby assalta com furor o inimigo.

Iracema, unida ao flanco de seu guerreiro e esposo, vio de longe Cauby e fallou assim:

—Senhor de Iracema, ouve o rogo de tua escrava; não derrama o sangue do filho de Araken. Se o guerreiro Cauby tem de morrer, morra elle por esta mão, não pela tua.

Martim pôz no rosto da selvagem olhos de horror:

—Iracema matará seu irmão?

—Iracema antes quer que o sangue de Cauby tinja sua mão que a tua; porque os olhos de Iracema vêem a ti, e a ella não.

Travam a luta os guerreiros. Cauby combate com furor, o christão defende-se apenas; mas a seta embebida no arco da esposa guarda a vida do guerreiro contra os botes do inimigo.

Poty já prostrou o velho Andira e quantos guerreiros topou na luta seu valido tacape. Martim lhe abandona o filho de Araken, e corre sobre Irapuam.

—Jacaúna é um grande chefe; seu collar de guerra dá tres voltas ao peito. O tabajara pertence ao guerreiro branco.