A filha de Araken estava além, entre as verdes moitas de ubaia, sentada na relva. O pranto desfiava de seu bello semblante; e as gotas que rolavam a uma e uma cabiam sobre o regaço, onde já palpitava e crescia o filho do amor. Assim cahem as folhas da arvore viçosa antes que amadureça o fructo.
—O que espreme as lagrimas do coração de Iracema!
—Chora o cajueiro quando fica tronco secco e triste. Iracema perdeu sua felicidade, depois que te separaste d'ella.
—Não estou eu junto a ti?
—Teu corpo está aqui; mas tua alma vôa á terra de teus pais, e busca a virgem branca, que te espera.
Martim doeu-se. Os grandes olhos negros que a indiana pousara n'elle o tinham ferido no amago.
—O guerreiro branco é teu esposo: elle te pertence.
A formosa tabajara sorriu em sua tristeza:
—Quanto tempo ha que retiraste de Iracema teu espirito? Antes teu passo te guiava para as frescas serras e os alegres taboleiros; teu pé gostava de pisar a terra da felicidade e seguir o rastro da esposa. Agora só buscas as praias ardentes, porque o mar que lá murmura vem dos campos em que nasceste; e o morro das areias, porque do alto se avista a igara que passa.
—É a ancia de combater o tupinambá que volve o passo do guerreiro para as bordas do mar: respondeu o christão.