Iracema cantava docemente, embalando a rêde para acalentar o filho.
A areia da praia crepitou sob o pé forte e rijo do guerreiro tabajara, que vinha das bordas do mar depois da abundante pesca.
A joven mãe cruzou as franjas da rede, para que as moscas não inquietassem o filho acalentado, e foi ao encontro do irmão:
—Cauby vae tornar ás montanhas dos Tabajaras! disse ella com brandura.
O guerreiro annuviou-se:
—Tu despedes teu irmão da cabana para que elle não veja a tristeza que a enche.
—Araken teve muitos filhos em sua mocidade; uns a guerra levou e morreram como valentes; outros escolheram uma esposa, e geraram por sua vez numerosa prole: filhos de sua velhice, Araken só teve dois. Iracema é para elle como a rôla que o caçador tirou do ninho. Só resta o guerreiro Cauby ao velho Pagé, para suster seu corpo vergado, e guiar seu passo tremulo.
—Cauby partirá quando a sombra deixar o rosto de Iracema.
—Como vive a estrella da noite, vive Iracema em sua tristeza. Só os olhos do esposo podem apagar a sombra em seu rosto. Parte, para que elles não se turvem com tua vista.
—Teu irmão parte para agradar tua vontade; mas elle voltará todas as vezes que o cajueiro florescer para sentir em seu coração o filho de teu ventre.