Entrou na cabana. Iracema tirou da rêde a creança; e ambos, mãe e filho, palpitaram sobre o peito do guerreiro tabajara. Depois Cauby passou a porta, e sumio-se entre as arvores.

Iracema, arrastando o passo tremulo, o acompanhou de longe até que o perdeu de vista na orla da mata. Ahi parou: quando o grito da jandaia de envolta com o choro infantil, a chamou á cabana, a areia fria onde esteve sentada, guardou o segredo do pranto que em bebera.

A joven mãe suspendeu o filho á teta; mas a bocca infantil não emmudeceu. O leite escasso não apojava o peito.

O sangue da infeliz diluia-se todo nas lagrimas incessantes que não estancavam dos olhos; nenhum chegava aos seios, onde se forma o primeiro licor da vida.

Ella dissolveu a alva cariman e preparou ao fogo o mingáo para nutrir o filho. Quando o sol dourou a crista dos montes, partiu para a mata, levando ao collo a creança adormecida.

Na espessura do bosque está o leito da irara ausente; os tenros caxorrinhos grunhem enrolando-se uns sobre os outros. A formosa tabajara approxima-se de manso. Prepara para o filho um berço da macia rama do maracujá; e senta-se perto.

Põe no regaço um por um os filhos da irara; e lhes abandona os seios mimosos, cuja teta rubra como a pitanga ungio do mel da abelha. Os caxorrinhos famintos precipitam-se gulosos e sugam os peitos avaros de leite.

Iracema curte dôr, como nunca sentiu; parece que lhe exhaurem a vida; mas os seios vão-se entumecendo; apojaram afinal, e o leite, ainda rubro do sangue, de que se formou, esguicha.

A feliz mãe arroja de si os caxorrinhos, e cheia de jubilo mata a fome ao filho. Elle é agora duas vezes filho de sua dôr, nascido d'ella e tambem nutrido.

A filha de Araken sentiu afinal que suas veias se estancavam; e comtudo o labio amargo de tristeza recusava o alimento que devia restaurar-lhe as forças. O gemido e o suspiro tinham crestado com o sorriso o sabor em sua bocca formosa.