Apenas o indio deo alguns passos para atravessar o campo, parou fazendo um gesto de sorpreza; diante delle arquejava um cãozinho, que reconheceu pela colleira de fructos escarlates que tinha ao pescoço.

Era o mesmo que ha dous dias encontrára na floresta, e que naturalmente seguia a india no momento em que ella fugia; o indio não o tinha visto por causa das guaximas.

O animal mostrava ter sido estrangulado por uma torsão tão violenta, que lhe partira a columna vertebral; entretanto ainda agonisava.

Do primeiro lanço d'olhos Pery tinha visto tudo isto, e calculado o que se havia passado.

Aquella morte, pensava elle, não podia ter sido feita senão por uma creatura humana; qualquer outro animal usaria dos dentes ou das garras, e deixaria traços de ferimento.

O cão pertencia á india; fôra ella pois quem o havia estrangulado ha bem poucos momentos, porque a fractura do pescoço era de natureza a produzira morte quasi immediatamente.

Mas por que motivo tinha feito essa barbaridade?—Porque, respondia o espirito do indio, ella sabia que era perseguida, e o cão que a não podia acompanhar serviria para denuncia-la.

Apenas formulou este pensamento, Pery deitou-se e auscultou o seio da terra por muito tempo; duas vezes ergueu a cabeça julgando illudir-se, e encostou de novo o ouvido ao chão.

Quando levantou-se, o seu rosto exprimia grande sorpreza e admiração; tinha ouvido alguma cousa de que parecia duvidar ainda, como se os seus sentidos o illudissem.

Caminhou para o lado do nascente, auscultando a terra a cada momento, e assim chegou a alguns passos de uma grande touça de cardos que se elevava n'uma baixa do terreno.