—Quando estiverdes de vez para fallar, nos avisareis.
E os dous aventureiros pararão dispostos a retroceder; o italiano voltou-se com um gesto de desprezo.
—Parvos que sois! disse elle. Se vos parece, revoltai-vos agora que estais em meu poder, e que não tendes outro remedio senão seguir a minha fortuna! Voltai!... tambem eu voltarei; mas para denunciar-nos a todos.
Os dous aventureiros empallidecêrão.
—Não me façais lembrar, Loredano, disse Ruy Soeiro abaixando um olhar rapido para o punhal, que ha um meio de fechar para sempre as boccas que se obstinão a fallar.
—Isto quer dizer, replicou o italiano desdenhosamente, que me matarieis no caso de que eu vos quizesse denunciar?
—A fé que sim! respondeu Ruy Soeiro com um tom que mostrava a sua resolução.
—E eu pela minha parte faria o mesmo! Primeiro está a nossa vida que as vossas venetas, misser italiano.
—E que ganharieis vós em matar-me? perguntou Loredano sorrindo.
—Essa é melhor! Que ganharíamos? Achais que é cousa de pequena valia assegurar a sua existencia e o seu descanço?