—Guardai as vossas armas, disse Loredano encarnecendo, servirão para me defenderdes. Eu sei quanto vos é preciosa e cara a minha existencia!
Ambos os aventureiros empallidecêrão, e seguirão o italiano, que depois de uma meia hora de caminho chegou á touca de cardos que já descrevêmos.
Á um signal de Loredano, os seus companheiros subirão á arvore, e descêrão pelo cipó ao centro dessa área cercada de espinhos, que tinha quando muito tres braças de comprimento sobre duas de largura.
De um lado, na quebrada que fazia o terreno, via-se uma especie de gruta ou abobada, restos desses grandes formigueiros que se encontrão pelos nossos campos, já meio aluidos pela chuva. Neste lugar, á sombra de um pequeno arbusto que nascêra entre os cardos, sentárão-se os tres aventureiros.
—Oh! disse o italiano immediatamente; ha algum tempo já que não venho dessas bandas; mas parece-me que ainda deve haver aqui o quer que seja que vos dará no gôto.
Reclinou-se, e estendendo o braço pela cava retirou uma botija que alli estava deitada, e que collocou no meio do grupo.
—É de Caparica, mas do bom. Deste cá não vem!
—Diabo! tendes uma adega exclamou Bento Simões a quem avista da botija tinha restituido todo o bom humor.
—A fallar a verdade, disse Ruy, esperaria tudo, menos ver sahir deste buraco uma botija de vinho.
—É para vêrdes! como costumo vir a este lugar, onde ás vezes passo bem boas soalheiras, precisava ter um companheiro com quem espairecesse.