Os aventureiros, com os olhares incendidos de cobiça, esperando ver correr ondas de ouro, de diamantes e esmeraldas, ficárão estupefactos. Do bojo do vaso saltára apenas um pequeno rolo de pergaminho coberto por um couro avermelhado, e atado em cruz por um fio pardo.
Loredano com a ponta do punhal rompeu o laço, e, abrindo rapidamente o pergaminho, mostrou aos aventureiros um rotulo escripto em grandes letras vermelhas.
Ruy Soeiro soltou um grito: Bento Simões começou a tremer de prazer, de pasmo e admiração.
Passado um momento, o italiano estendeu a mão para o papel collocado no meio do grupo, seus olhos tomarão uma expressão dura.
—Agora, disse elle com a sua voz vibrante, agora que tendes a riqueza e o poder ao alcance da mão, jurai que o vosso braço não tremerá quando chegar a occasião; que obedecereis ao meu gesto, á minha palavra, como á lei do destino.
—Juramos!
—Estou cançado de esperar, e resolvido a aproveitar o primeiro ensejo. A mim como chefe, disse o italiano com um sorriso diabolico, devia pertencer D. Antonio de Mariz; eu vo-lo cedo, Ruy Soeiro. Bento Simões terá o escudeiro. Eu reclamo para mim Alvaro de Sá, o nobre cavalheiro.
Ayres Gomes vai se ver n'uma dansa! disse Bento Simões com um aspecto marcial.
—Os mais, se nos incommodarem, irão depois; se nos acompanharem serão bem vindos. Unicamente vos aviso que aquelle que tocar a soleira da porta da filha de D. Antonio de Mariz, é um homem morto; esta é a minha parte de presa! É a parte do leão.
Neste momento ouvio-se um rumor como se as folhas se tivessem agitado.