—Não vos dê cuidado, Sr. cavalheiro, antes de seis horas lá estaremos; sou eu que vo-lo digo.
O moço voltou-se para o italiano, rugando o sobrolho.
—Sr. Loredano, é a segunda vez que dizeis esta palavra em um tom que me desagrada; pareceis querer dar a entender alguma cousa, mas falta-vos o animo de a proferir. Uma vez por todas, fallai abertamente, e Deus vos guarde de tocar em objectos que são sagrados.
Os olhos do italiano lançárão uma faisca; mas o seu rosto conservou-se calmo e sereno.
—Bem sabeis que vos devo obediência, Sr. cavalheiro, e não faltarei della. Desejais que falle claramente; e a mim me parece que nada do que tenho dito póde ser mais claro do que é.
—Para vós, não duvido; mas isto não é razão de que o seja para outros.
Ora dizei-me, Sr. cavalheiro, não vos parece claro, á vista do que me ouvistes, que adevinhei o vosso desejo de chegar o mais depressa possivel?
—Quanto a isto, já vos confessei eu; não ha pois grande merito em adevinhar.
—Não vos parece claro tambem que observei haverdes feito esta expedição com a maior rapidez, de modo que em menos de vinte dias eis-nos ao cabo della?
—Já vos disse que tive ordem, e creio que nada tendes a oppôr.