—Sim? o que farias?

—Pery te mataria.

A firmeza com que erão ditas estas palavras não deixava a menor duvida sobre a sua realidade; entretanto Alvaro apertou a mão do indio com effusão.

Pery temeu offender o moço; para desculpar a sua franqueza, disse-lhe com um tom commovido:

—Escuta. Pery é filho do sol; e renegava o sol se elle queimasse a pelle alva de Cecy. Pery ama o vento; e odiava o vento se elle arrancasse um cabello de ouro de Cecy. Pery gosta de vêr o céo; e não levantava a vista, se elle fosse mais azul do que os olhos de Cecy.

—Comprehendo-te, amigo; votaste a tua vida inteira á felicidade dessa menina. Não receies que te offenda nunca na pessoa della. Sabes se eu a amo; e não te zangues, Pery, se disser que a tua dedicação não é maior do que a minha. Antes que me matasses, creio que me mataria a mim mesmo se tivera a desgraça de fazer Cecilia infeliz.

—Tu és bom; Pery quer que a senhora te ame.

O indio contou então a Alvaro o que se tinha passado na noite antecedente; o moço empallideceu de colera, e quiz voltar em busca do italiano; desta vez não lhe perdoára.

—Deixa! disse o indio; Cecy teria medo; Pery vai endireitar isto.

Os dous tinhão chegado perto da casa e ião entrar a cerca do valle, quando Pery segurou o braço de Alvaro: