A menina tirou do peito uma pequena cruz de ouro presa a uma fita preta, e deitou-a no pescoço do indio:
—Quando tu souberes o que diz esta cruz, volta, Pery.
—Não, senhora; de onde Pery vai, ninguem voltou.
Cecilia estremeceu.
O selvagem ergueu-se, e caminhou para D. Antonio de Mariz, que não podia dominar a sua emoção.
—Pery vai partir; tu mandas, elle obedece; antes que o sol deixe a terra, Pery deixará tua casa; o sol voltará amanhã, Pery não voltará nunca. Leva a morte no seio porque parte hoje; levaria a alegria se partisse no fim da lua.
—Por que razão? perguntou D. Antonio; desde que é necessario que nos separemos, tanto deves sentir hoje, como d'aqui a tres dias.
—Não, replicou o indio; tu vais ser atacado amanhã talvez, e Pery estaria comtigo para defender-te.
—Vou ser atacado? exclamou D. Antonio pensativo.
—Sim: podes contar.