Porque... vos amo!
XII
AS MENSAGENS DE PERY
Alvaro ergueu-se como se os labios da moça tivessem lançado nas suas veias uma gota do veneno subtil dos selvagens que matava com um atomo.
Pallido, atonito, fitava na menina um olhar frio e severo; seu coração leal exagerava a affeição pura que votava a Cecilia a tal ponto, que o amor de Isabel lhe parecia quasi uma injuria; era ao menos uma profanação.
A moça com as lagrimas nos olhos, sorria amargamente; o movimento rapido de Alvaro tinha trocado as posições; agora era ella que estava ajoelhada aos pés do cavalheiro.
Soffria horrivelmente; mas a paixão a dominava; o silencio de tanto tempo queimava-lhe os labios; seu amor precisava respirar, expandir-se, embora depois o desprezo e mesmo o odio o viessem recalcar no coração.
—Promettestes perdoar-me!... disse ella supplicante.
—Não tenho que perdoar-vos, D. Isabel, respondeu o moço erguendo-a; peço-vos unicamente que não fallemos mais de semelhante cousa.
—Pois bem! Escutai-me um momento, um instante só, e juro-vos por minha mãi, que não ouvireis nunca mais uma palavra minha! Se quereis, nem mesmo vos olharei! Não preciso olhar para ver-vos!
E acompanhou estas palavras comum gesto sublime de resignação.