—É impossivel! disse o moço surprendido.

Pery te diz verdade.

—Não creio!...

Com effeito o cavalheiro attribuindo as desconfianças do indio a uma exageração filha da sua dedicação extrema pela filha de D. Antonio, não podia acreditar no horrivel attentado: sua direitura de sentimentos repellia a possibilidade de um crime tal.

O fidalgo era amado e respeitado por todos os aventureiros: nunca durante dez annos que o moço o acompanhava se tinha dado na banda um só acto de insubordinação contra a pessoa do chefe; havia faltas de disciplina, rixas entre os companheiros, tentativas de deserção; mas não passava disto.

O indio sabia que Alvaro duvidaria do que se passava; e por isso se obstinava em guardar parte do segredo, receiando que o moço com o seu cavalheirismo não tomasse o partido dos tres aventureiros.

—Tu duvidas de Pery?

—Quem faz uma accusação tal, precisa prova-la. Tu és um amigo, Pery; mas os outros tambem o são, e têm o direito de se defenderem.

—Quando um homem vai morrer, tu julgas que elle mente? perguntou o indio com firmeza.

—Que queres dizer com isto?