Pela descripção seguinte conhece-se que o selvagem viu na igreja, na occasião do incendio que devorou a villa da Victoria, uma imagem de Nossa Senhora, que o impressionou vivamente.

PAG.—[A estrella grande].

O que dizem alguns chronistas, a respeito da ignorancia absoluta dos indigenas sobre a astronomia, me parece inexacto. Os Guaranys tinhão os conhecimentos rudes, filhos da observação. Chamavão a estrella jacy-tato, fogo da lua; suppunhão pois que a lua é que transmittia a luz ás estrellas. Conhecião as quatro phases da lua: a lua nova, jacy-peçaçu; o quarto crescente, jacy-jemorotuçu; a lua cheia, jacy-caboaçu; e o quarto minguante, jacy-jearoca. Dividião o anno em duas estações: a estação do sol, coaracyara, e a estação da chuva, ama'na-ara; são as mesmas que hoje conhecemos, e as unicas que realmente existem no Brazil. Muitas outras observações podiamos fazer, que omittimos para evitar prolixidade.

PAG. 199.—[Grande rio].

Esta palavra é relativa: todas as nações chamavão assim o maior rio que havia no territorio que ellas conhecião, e é por isso que se encontrão tantos rios grandes nos nomes dos rios do nosso paiz. Para os Goytacazes o Rio-Grande era o Parabyba.

PAG. 218.—[A nação goytacaz].

Esses factos lêem-se em qualquer dos escriptores que se têm occupado dos primeiros tempos coloniaes do Brazil, e especialmente em G. Soares, que foi contemporâneo delles.

PAG. 260—[Cipós].

Diz Gabriel Soares: «Deu a natureza ao Brazil, por entre os arvoredos, umas cordas muito rijas, muitas que nascem aos pés dos arvores e atrepão por ellas acima, a que chamão cipós, com que os indios atão a madeira de suas casas e os brancos que não podem mais. Nestes mesmos mattos se crião outras cordas mais delgadas e primas a que os indios chamavão «timbós,» que são mais rijas que os cipós acima.»

A quantidade infinita de cipós é uma das originalidades das florestas do Brazil, e admirou os naturalistas estrangeiros que o visitárão.