[PRIMEIRA PARTE
OS AVENTUREIROS]
- [I.—Scenario]
- [II.—Lealdade]
- [III.—A bandeira]
- [IV.—A Luta]
- [V.—Loura e morena]
- [VI.—A Volta]
- [VII.—A prece]
- [VIII.—Tres linhas]
- [IX.—Amor]
- [X.—Ao alvorecer]
- [XI.—No banho]
- [XII.—A onça]
- [XIII.—Revelação]
- [XIV.—A india]
- [XV.—Os tres]
- [I.—O Carmelita]
- [II.—Yara!]
- [ III.—Genio do mal]
- [ IV.—Cecy]
- [ V.—Vilania]
- [ VI.—Nobreza]
- [ VII.—No precipicio]
- [ VIII.—O bracelete]
- [ IX.—Testamento]
- [ X.—Despedida]
- [ XI.—Travessura]
- [ XII.—As mensagens de Pery]
- [ XIII.—Trama]
- [ XIV.—A chacara]
- [ Notas]
PRIMEIRA PARTE
OS AVENTUREIROS
I
SCENARIO
De um dos cabeços da Serra dos Órgãos deslisa um fio d'agua que se dirige para norte, e engrossado com os mananciaes, que recebe no seu curso de dez leguas, torna-se rio caudal.
É o Paquequer: soltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na varzea e embeber no Parahyba, que rola magestosamente em seu vasto leito.
Dir-se-hia que vassallo e tributario desse rei das aguas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suzerano. Perde então a belleza selvatica; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltão contra os barcos e as canôas que resvalão sobre ellas: escravo submisso, soffre o latego do senhor.
Não é neste lugar que elle deve ser visto; sim tres ou quatro leguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indomito desta patria da liberdade.