Cecilia offereceu a fronte ao beijo de seu pai e de sua mãi, e fez uma graciosa mesura a seu irmão e a Alvaro.
Isabel tocou com os labios a mão de seu tio, e curvou-se em face de D. Lauriana para receber uma benção lançada com a dignidade e altivez de um abbade.
Depois, a familia chegando-se para junto da porta, dispoz-se a passar um desses curtos serões que outr'ora precedião á simples mas succulenta ceia.
Alvaro, em attenção a ser o seu primeiro dia de chegada, fôra emprazado pelo velho fidalgo para tomar parte nessa collação da familia, o que havia recebido como um favor immenso.
O que explicava esse apreço e grande valor dado por elle a um tão simples convite, era o regimen caseiro que D. Lauriana havia estabelecido na sua habitação.
Os aventureiros e seus chefes vivião n'um lado da casa inteiramente separados da familia; durante o dia corrião os mattos e occupavão-se com a caça ou com diversos trabalhos de cordoagem e marcenaria.
Era unicamente na hora da prece que se reunião um momento na esplanada, onde, quando o tempo estava bom, as damas vinhão tambem fazer a sua oração da tarde.
Quanto á familia, esta conservava-se sempre retirada no interior da casa durante a semana: o domingo era consagrado ao repouso, á distracção e á alegria; então dava-se ás vezes um acontecimento extraordinario como um passeio, uma caçada, ou uma volta em canoa pelo rio.
Já se vê pois a razão por que Alvaro tinha tantos desejos, como dizia o italiano, de chegar ao Paquequer em um sabbado, e antes das seis horas; o moço sonhava com a ventura desses curtos instantes de contemplação e com a liberdade do domingo, que lhe offereceria talvez occasião de arriscar uma palavra.
Formado o grupo da familia, a conversa travou-se entre D. Antonio de Mariz, Alvaro e D. Lauriana; Diogo ficara um pouco retirado; as moças, timidas, escutavão, e quasi nunca se animavão a dizer uma palavra sem que se dirigissem directamente á ellas, o que rara vez succedia.