—Porque é tua, não é, senhora?
—Sim, porque é minha, e quero que a conserves para mim.
O rosto de Pery irradiava com o sentimento de um gozo immenso, de uma felicidade infinita; metteu as pistolas na cinta de pennas e ergueo a cabeça orgulhoso, como um rei que acabasse de receber a uncção de Deus.
Para elle essa menina, esse anjo louro, de olhos azues, representava a divindade na terra; admira-la, faze-la sorrir, vê-la feliz, era o seu culto; culto santo e respeitoso em que o seu coração vertia os thesouros de sentimento e poesia que transbordavão dessa natureza virgem.
Isabel entrou no jardim; a pobre menina tinha velado toda a noite, e seu rosto parecia conservar ainda os traços de algumas dessas lagrimas ardentes que escaldão o seio e requeimão as faces.
A moça e o indio nem se olhárão; odiavão-se mutuamente; era uma antipathia que começára desde o momento em que se virão, e que cada dia augmentava.
Agora, Pery, Isabel e eu vamos ao banho.
—Pery te acompanha, senhora?
—Sim; mas com a condição de que Pery ha de estar muito quieto o socegado.
A razão por que Cecilia impunha esta condição, só podia hem comprehender quem tivesse assistido á uma das scenas que se passavão quando as duas moças ião banhar-se, o que succedia quasi sempre ao domingo.