Bento Simões imitou-o com pequeno intervallo, e guiando-se por alguns talhos frescos que vio nas arvores, tomou na mesma direcção.

O pateo ficou deserto.

Decorreu cerca de meia hora: a casa tinha aberto todas as suas janellas para receber o ar puro da manhã, e as emanações saudaveis dos campos; um ligeiro pennacho de fumo alvadio coroava o tubo da chaminé, annunciando que os trabalhos caseiros havião começado.

De repente ouvio-se um grito no interior da habitação; todas as portas e janellas do edificio fechárão-se com um estrepito e uma rapidez, como se um inimigo cahisse de assalto.

Pela fresta de uma janella entre-aberta appareceu o rosto de D. Lauriana, pallida e com os cabellos sem estarem riçados, o que era uma cousa extraordinária.

—Ayres Gomes!... O escudeiro!... Chamem Ayres Gomes! Que venha já! gritou a dama.

A janella fechou-se de novo com o ferrolho.

A personagem que já conhecemos pouco tardou, e atravessando a esplanada dirigio-se á casa, sem comprehender a razão porque áquella hora com sol alto ainda toda a habitação parecia dormir.

—Fizestes-me chamar! disse elle chegando-se á janella.

—Sim; estais armado? perguntou D. Lauriana por detraz da porta.