—Mas a culpa não tem elle!
—Quero ver se o Sr. Mariz ainda teima em guardar essa boa joia.
—E que é feito da féra, Sra. D. Lauriana?
—Algures deve estar. Procurai-a, Ayres; corrão tudo, matem-n'a, e tragão-me aqui.
—É dito e feito, respondeu o escudeiro correndo tanto quando lhe permittião as suas botas de couro de raposa.
Com pouca demora, cerca de vinte aventureiros armados descêrão da esplanada.
Ayres Gomes marchava na frente com um enorme chuço na mão direita, a espada na mão esquerda, e uma faca atravessada nos dentes.
Depois de percorrerem quasi todo o valle e baterem o arvoredo, voltavão, quando o escudeiro estacou de repente e gritou:
—Eil-a, rapazes! Fogo antes que faça o pulo!
Com effeito, por entre a ramagem das arvores via-se a pelle negra e marchetada do tigre, e os olhos felinos que brilha vão com o seu reflexo pallido.