Voltando-se para esconder o rubor de suas faces, Cecilia viu perto a Isabel que devorava esta scena com um olhar ardente.
A menina soltou um grito de susto e entrou rapidamente no jardim. Alvaro apanhou no ar a pequena flôr que se escapára dos dedos de Cecilia e beijou-a julgando que ninguem alli estava. Quando o cavalheiro deo com os olhos na moça, ficou tão perturbado que deixou cahir o jasmim sem sentir.
Isabel apanhou-o; e apresentando a Alvaro, disse com um accento de voz inimitavel:
—É tambem uma restituição!
Alvaro empallideceu.
A moça tremula passou diante delle, e entrou no quarto de sua prima.
Cecilia vendo chegar Isabel corou, e não se animou a levantar os olhos, lembrando-se do que ella tinha visto e ouvido: pela primeira vez a innocente menina conhecia que havia na sua pura affeição alguma cousa que se escondia aos olhos dos outros.
Isabel, entrando no aposento da prima ao qual fôra arrastada por um sentimento irresistivel, arrependera-se immediatamente; a perturbação que sentia era tão grande, que temeu trahir-se; encostou-se no leito defronte de Cecilia, muda e com os olhos cravados no chão.
Assim passou-se um longo intervallo; depois as duas moças quasi ao mesmo tempo erguêrão a cabeça e lançárão um olhar para a janella; seus olhos se encontrárão, e ambas corárão ainda mais.
Cecilia revoltou-se; a menina alegre e travessa que conservava n'um cantinho do coração, sob os risos e as graças, o germem da firmeza de caracter que distinguia seu pai, sentio-se offendida por se ver obrigada a córar de vergonha diante de outrem, como se tivesse commettido uma falta.