—Sim!... respondeu a menina supplicante. Quero que tu vivas!
—Pery viverá!
O indio fez um esforço supremo, e restituindo um pouco de elasticidade aos seus membros entorpecidos, dirigio-se á porta e desappareceu.
Todas as pessoas presentes o acompanharão com os olhos e o virão descer á varzea e ganhar a floresta correndo.
A ultima palavra que elle proferira tinha um momento restituido a esperança a D. Antonio de Mariz; mas quasi logo a duvida apoderou-se do seu espirito; julgou que o indio se illudia.
Cecilia porém tinha mais do que uma esperança; tinha quasi uma certeza de que Pery não se enganára; a promessa de seu amigo lhe inspirava uma confiança profunda. Nunca Pery lhe havia dito uma cousa que se não realisasse; o que parecia impossivel aos outros, tornava-se facil para a sua vontade firme e inabalavel, para o poder sobrehumano de que a força e a intelligencia o revestia.
Quando D. Antonio de Mariz e sua familia se recolhêrão tristemente impressionados, Alvaro de pé na porta do gabinete fez um gesto de espanto ao fidalgo, e apontou-lhe para o oratorio.
A parede do fundo, prestes a tombar, oscillava sobre a sua base como uma arvore balançada pelo vento.
D. Antonio sorrio, e ordenando a sua familia que entrasse no gabinete, tirou a pistola da cinta, armou-a e esperou na porta ao lado de Alvaro.
No mesmo instante ouvio-se um grande estrondo, e no meio da nuvem espessa de pó que se elevou desse montão de ruinas seis homens precipitárão-se na sala.