O indio fez a canôa boiar sobre as aguas do rio, e quando tomou a menina nos seus braços para deita-la no barquinho, ella sentio pela primeira vez na sua vida que o coração de Pery palpitava sobre o seu seio.

A tarde estava soberba; os raios do sol no occaso, filtrando por entre as folhas das arvores, douravão as flôres alvas que crescião pela beira do rio.

As rolas começavão a soltar os seus arrulhos no fundo da floresta; e a brisa, que passava ainda tepida das exhalações da terra, vinha impregnada de aromas silvestres.

A canôa resvalou pela flôr d'agua, como uma garça ligeira levada pela correnteza do rio.

Pery remava sentado na prôa.

Cecilia, deitada no fundo, meio apoiada sobre uma alcatifa de folhas que Pery tinha arranjado, engolfava-se nos seus pensamentos, e aspirava as emanações suaves e perfumadas das plantas, e a frescura do ar e das aguas.

Quando seus olhos encontravão os de Pery, os longos cilios descião occultando um momento o seu olhar doce e triste.

A noite estava serena.

A canôa, vogando sobre as aguas do rio, abria essas flôres de espuma, que brilhão um momento á luz das estrellas, e se desfazem como o sorriso da mulher.

A brisa tinha escasseado; e a natureza adormecida respirava a calma tepida e perfumada das noites americanas, tão cheias de enlevo e encanto.