O silencio reinava na habitação e seus arredores, tudo estava tranquillo e sereno. Algumas estrellas brilhavão no céo; os sopros escassos da viração susurravão na folhagem.
Os dous homens de vigia, apoiados ao arcabuz e reclinados sobre o alcantil, sondavão a sombra espessa que se estendia pela aba do rochedo.
O vulto magestoso de D. Antonio de Mariz passou lentamente pela esplanada, e desappareceu no canto da casa. O fidalgo fazia a sua ronda nocturna, como um general na vespera de uma batalha.
Passados alguns momentos ouvio-se cantar uma coruja no valle, junto da escada de pedra; uma das vigias abaixou-se, e tomando dous pequenos seixos deixou-os cahir um depois do outro.
O som fraco que produzio a quedadas pedras sobre o arvoredo da varzea foi quasi imperceptivel; seria difficil distingui-lo do rumor do vento nas folhas.
Um instante depois um vulto subio ligeiramente a escada, e reunio-se aos dous homens que fazião a guarda nocturna:
—Tudo está preparado?
—Só esperamos por vós.
—Vamos! não ha tempo a perder.
Trocadas estas palavras rapidamente entre o que chegava e uma das vigias, os tres encaminhárão-se com todas as precauções para a alpendrada em que habitava a banda dos aventureiros.