—Uma irmã não tem direito de aceitar a prenda que lhe offerece seu irmão?

—Tendes razão, respondeu a moça suspirando, eu o guardarei como lembrança vossa; não será adorno para mim, senão reliquia.

O moço não respondeu; retirou-se para cortar a conversa.

Desde a vespera Alvaro não podia eximir-se á impressão poderosa que causara nelle a paixão de Isabel; era preciso que não fosse homem para não se sentir profundamente commovido pelo amor ardente de uma mulher bella, e pelas palavras de fogo que corrião dos labios de Isabel impregnadas de perfume e sentimento.

Mas a razão direita do cavalheiro recalcava essa impressão no fundo do coração; elle não se pertencia; tinha aceitado o legado de D. Antonio de Mariz e jurado dar a sua mão a Cecilia.

Embora não esperasse mais realisar o seu sonho dourado, entendia que estava rigorosamente obrigado a sujeitar-se á vontade do fidalgo, a proteger sua filha, a dedicar-lhe sua existência. Quando Cecilia o repellisse abertamente, e D. Antonio o desobrigasse de sua promessa, então seu coração seria livre, se não estivesse morto pelo desengano.

O unico facto notavel que se deu nesse dia foi a chegada de seis aventureiros das vizinhanças, que prevenidos por D. Diogo vinhão offerecer seus serviços a D. Antonio.

Chegarão ao lusco-fusco; á frente delles vinha o nosso conhecido mestre Nunes, que um anno antes dera hospitalidade no seu pouso a frei Angelo di Lucca.

III
VERME E FLOR

Erão onze horas da noite.