Na segunda-feira, erão seis horas da manhã, quando D. Antonio de Mariz chamou seu filho.
O velho fidalgo velara uma boa parte da noite; ou escrevendo ou reflectindo sobre os perigos que ameaçavão sua familia.
Pery lhe havia contado todas as particularidades de seu encontro com os Aymorés; e o cavalheiro, que conhecia a ferocidade e espirito vingativo dessa raça selvagem, esperava a cada momento ser atacado.
Por isso, de acordo com Alvaro, D. Diogo, com seu escudeiro Ayres Gomes, tinha tomado todas as medidas de precaução que as circumstancias e sua longa experiencia lhe aconselhavão.
Quando seu filho entrou, o velho fidalgo acabava de sellar duas cartas que escrevêra na vespera.
—Meu filho, disse elle com uma ligeira emoção, reflecti essa noite sobre o que nos pode acontecer, e assentei que deves partir hoje mesmo para S. Sebastião.
—Não é possivel, senhor!... Afastais-me de vós justamente quando correis um perigo?
—Sim! É justamente quando um grande perigo nos ameaça, que eu, chefe da casa, entendo ser do meu dever salvar o representante do meu nome e meu herdeiro legitimo, o protector de minha familia orphã.
—Confio em Deos, meu pai, que vossos receios serão infundados; mas se elle nos quizesse submetter a tal provança, o unico lugar que compete a vosso filho e herdeiro de vosso nome é nesta casa ameaçada, ao vosso lado, para defender-vos e partilhar a vossa sorte, qualquer que ella seja.
D. Antonio apertou seu filho ao peito.