D. Diogo deitou o joelho em terra, e beijou com ternura a mão do fidalgo:
—Perdão, meu pai, por não vos ter comprehendido. Eu devia adivinhar que D. Antonio de Mariz não pode querer para o filho senão o que é digno do pai.
—Vamos, D. Diogo, não ha tempo a perder. Lembrai-vos que uma hora, um minuto de tardança talvez tenha de ser contado anciosamente por aquelles que vão esperar-vos.
—Parto neste instante, disse o cavalheiro dirigindo-se á porta.
—Tomai; esta carta é para Martim de Sá, governador desta capitania; esta outra é para meu cunhado e vosso tio Crispim Tenreiro, valente fidalgo que vos poupará o trabalho de procurardes defensores para vossa familia. Ide despedir-vos de vossa mãi e vossas irmãs: eu farei tudo preparar para a partida.
O fidalgo, reprimindo a sua emoção, sahio do gabinete onde se passava esta scena, e foi ter com Alvaro que o procurava.
—Alvaro, escolhei quatro homens que acompanhem D. Diogo ao Rio de Janeiro.
—D. Diogo parte?... perguntou o moço admirado.
—Sim, depois vos direi as razões. Por agora dai-vos pressa em que tudo esteja prompto dentro de uma hora.
Alvaro dirigio-se immediatamente ao fundo da casa onde habitavão os aventureiros.