—Sabeis que amo Cecilia; mas ignorais que prometti a seu pai ser seu marido. Emquanto elle por sua livre vontade não me desligar de minha promessa, estou obrigado a cumpri-la. Quanto ao meu amor, este me pertence, e só a morte me pode desligar delle. No dia em que eu amasse outra mulher, que não ella, me condemnaria a mim mesmo como um homem desleal.

O moço voltou-se para Isabel com um triste sorriso:

—E comprehendeis o que faz um homem desleal que tem ainda a consciencia precisa para se julgar a si?

Os olhos da moça brilhárão com um fogo sinistro:

—Oh! comprehendo!... É o mesmo que faz a mulher que ama sem esperança, e cujo amor é um insulto ou um soffrimento para aquelle a quem ama!

—Isabel!... exclamou Alvaro estremecendo.

—Tendes razão! Só a morte póde desligar de um primeiro e santo amor aos corações como os nossos!

—Deixai-vos dessas idéas, Isabel! Crede-me; uma unica razão póde justificar semelhante loucura.

—Qual? perguntou Isabel.

—A deshonra.