—Arma de Pery, companheira e amiga, adeus! Teu senhor te abandona e te deixa: comtigo elle venceria; comtigo ninguem poderia vencê-lo. E elle quer ser vencido...

O indio levou a mão ao coração:

—Sim!... Pery, filho de Ararê, primeiro de sua tribu, forte entre os fortes, guerreiro goytacaz, nunca vencido, vai succumbir na guerra. A arma de Pery não pode ver seu senhor pedir a vida ao inimigo; o arco de Ararê, já quebrado, não salvará o filho.

Sua cabeça altiva e sobranceira emquanto pronunciava estas palavras cahio-lhe sobre o seio; por fim venceu a sua emoção, e cingindo nos seus braços esse tropheo de suas armas e de suas insignias de guerra, estreitou-as ao peito em um ultimo abraço de despedida.

Um aroma agreste das plantas que começavão a se abrir com a aproximação do dia, avisou-lhe que a noite estava a acabar.

Quebrou a axorca de fructos que trazia na perna sobre a artelho, como todos os selvagens: este ornato era feito de pequenos cocos ligados por um fio, e tingidos de amarello.

Pery tomou dous destes fructos, e partio-os com a faca, sem comtudo separar as cascas; fechando-os então na sua mão, levantou o braço como fazendo um desafio ou uma ameaça terrivel e lançou-se fora do aposento.

X
A BRECHA

Quando Pery entrou no quarto de Cecilia, Loredano passeava do outro lado da esplanada, em frente do alpendre.

O italiano reflectia sobre os acontecimentos que havião passado nos ultimos dias, sobre as vicissitudes que corrêra a sua vida e a sua fortuna.