—Sois um desasado! disse Loredano contrariado.
—E tenho eu culpa! Quexai-vos do vento.
—Bom! não gasteis o tempo em palavras! Tirai fogo!
O aventureiro voltou a procurar o seu fuzil.
Loredano ficou em pé na porta á espera que o seu companheiro voltasse; e pareceu-lhe ouvir perto delle a respiração de um homem. Applicou o ouvido para certificar-se; e por segurança tirou o seu punhal e collocou-se no centro da porta, para impedir a sahida de quem quer que fosse.
Não ouvio mais nada; porém sentio de repente um corpo frio e gelado que tocou-lhe a fronte; o italiano recuou, e brandindo a sua faca deu um golpe ás escuras.
Pareceu-lhe que tinha tocado alguma cousa; entretanto tudo conservou-se no mais profundo silencio.
O aventureiro voltou trazendo a luz.
—É singular, disse elle; o vento póde apagar uma candeia, mas não lhe tira o pavio.
—O vento, dizeis. Acaso o vento tem sangue?