—Que quereis dizer?

—Que o vento que apagou a vela é o mesmo que deixou o seu signal neste ferro.

E Loredano mostrou ao aventureiro a sua faca, cuja ponta estava tinta de sangue ainda liquido.

—Ha aqui então um inimigo?...

—De certo; os amigos não precisão occultar-se.

Nisto ouvirão um rumor no telhado, e um morcego passou agitando lentamente as grandes azas: estava ferido.

—Eis o inimigo!... exclamou Martim rindo-se.

—É verdade, respondeu Loredano no mesmo tom; confesso que já tive medo de um morcego.

Tranquillos a respeito do incidente que os havia demorado, os dous entrárão na cozinha, e d'ahi por uma brecha estreita praticada na parede penetrárão no interior da casa ha pouco habitada por D. Antonio de Mariz e sua familia.

Atravessárão parte do edificio e chegárão a uma varanda que tocava de um lado com o quarto de Cecilia e do outro com o oratorio e o gabinete d'armas do fidalgo.