—Comtudo nós... ia dizendo Loredano.
—Toca a debandar! gritou Ayres Gomes. Aquelle que não estiver contente, que o diga ao Sr. D. Antonio de Mariz.
E o escudeiro com uma fleugma imperturbavel rompeu o circulo, e começou a passear pelo terreiro olhando de travez os aventureiros, e rindo á sorrelfa do seu desapontamento.
Quasi todos estavão contrariados; sem fallar dos conspiradores que se havião emprazado para concertarem seu plano de campanha, os outros, cujo divertimento era caçar e bater os mattos, não recebião a ordem com prazer. Apenas alguns de genio mais bonachão e jovial tinhão tomado a cousa á boa parte, e zombavão da contrariedade que soffrião seus companheiros.
Quando Alvaro se aproximou todos os olhos se voltárão para elle, esperando a explicação do que se passava.
—Sr. cavalheiro, disse Ayres Gomes, acabo de transmittir a ordem para que ninguem arrede pé da casa.
—Bem, respondeu o moço, e continuou dirigindo-se aos aventureiros: Assim é preciso, meus amigos, estamos ameaçados de um ataque dos selvagens, e toda a prudencia é pouca nestas occasiões. Não é só a nossa vida que temos a defender, e essa pouco vale para cada um de nós; é sim a pessoa daquelle que confia em nosso zelo e coragem, e mais ainda o socego de uma familia honrada que todos prezamos.
As nobres palavras do cavalheiro, e a affabilidade do gesto que suavisava a firmeza de sua voz, serenárão completamente os animos; todos os descontentes mostrárão-se satisfeitos.
Apenas Loredano estava desesperado por ser obrigado a retardar a combinação do seu plano; pois era arriscado tenta-lo em casa, onde o menor gesto o podia trahir.
Alvaro trocou poucas palavras com Ayres Gomes, e voltou-se para os aventureiros: