—D. Antonio de Mariz precisa de quatro homens dedicados para acompanharem seu filho D. Diogo á cidade de S. Sebastião. É uma missão perigosa; quatro homens nestes desertos marchão de perigo em perigo. Quem de vós se offerece para desempenha-la?
Vinte homens se adiantárão; o cavalheiro escolheu tres entres elles.
—Vós sereis o quarto, Loredano.
O italiano, que se tinha escondido entre os seus companheiros, ficou como fulminado por estas palavras; sahir naquella occasião da casa era perder para sempre a sua mais ardente esperança; durante a ausencia tudo podia se descobrir.
—Peza-me ser obrigado a negar-me ao serviço que exigis de mim; mas sinto-me doente, e sem forças para uma viagem.
O cavalheiro sorrio.
—Não ha enfermidade que prive um homem de cumprir o seu dever; sobretudo quando é um homem valente e leal como vós, Loredano.
Depois abaixou a voz para não ser ouvido pelos outros aventureiros:
—Se não partis, sereis arcabuzado em uma hora. Esqueceis que tenho a vossa vida em minha mão, e vos faço esmola mandando-vos sahir desta casa?
O italiano comprehendeu que não tinha remedio senão partir; bastava que o moço o accusasse de ter atirado sobre elle, bastava a palavra de Alvaro para fazê-lo condemnar pelo chefe e pelos seus proprios companheiros.