«Mas desde que tu ameaçaste tomal-a pela força de teu braço, Itaquê não podia mais conceder-te a filha de sua velhice, senão depois que abatesse teu orgulho.
«Elle preparava-se para te combater, e á tua nação; mas fujiu-lhe dos olhos a luz que dirije a seta da guerra; e não ha entre seus guerreiros um que possa brandir o arco do grande Tocantim.»
Quando pronunciou estas palavras, a voz do velho guerreiro sossobrou-lhe no peito:
—O arco de Itaquê é como o gavião que perdeu as azas e não póde mais levar a morte ao inimigo. As andorinhas zombam de suas garras.
«Empunha o arco de Itaquê, chefe dos araguaias, e tu conquistarás por teu heroismo uma espoza e uma nação.
«Á espoza farás mãi de cem guerreiros como Itaquê; e á nação conservarás a gloria que ella conquistou quando o filho de Javarí a conduzia á guerra.
«Tupan dará a teu braço esta força para que o sangue de Itaquê brote mais vigorozo e os netos de Tocantim dominem as florestas.»
Ubirajara sorriu:
—Chefe dos tocantins, teus olhos não podem ver o grande arco da nação araguaia; mas pergunta á tua mão, se o arco que Camacan brandia invencivel e agora empunha Ubirajara, cede ao arco de Itaquê.
O velho heróe palpou o arco chefe dos araguaias e vergou-lhe a ponta ao hombro, como se a haste fosse de taquarí.