Ubirajara travou do arco de Itaquê e desdenhando fincal-o no chão, elevou-o acima da fronte. A flecha ornada de penas de tucano partiu.
O semblante de Itaquê remoçou, ouvindo o zunido que lhe recordava o tempo de seu vigor. Era assim que elle brandia o arco outr'ora, quando as luas creciam aumentando a força de seu braço.
O velho inclinou a fronte para escutar o sibilo de sua flecha que talhava o azul do céu. Os cantores não tinham para elle mais doce harmonia do que essa.
Ubirajara largou o arco de Itaquê para tomar o arco de Camacan. A flecha araguaia tambem partiu e foi atravessar nos ares a outra que tornava á terra.
As duas setas deceram trespassadas uma pela outra como os braços do guerreiro quando se cruzam ao peito para exprimir a amizade.
Ubirajara apanhou-as no ar:
—Este é o emblema da união. Ubirajara fará a nação tocantim tão poderoza como a nação araguaia. Ambas serão irmãs na gloria e formarão uma só, que ha de ser a grande nação de Ubirajara, senhora dos rios, montes e florestas.
O chefe dos chefes ordenou que tres guerreiros araguaias e tres guerreiros tocantins, ligassem com o fio do crautá as hastes dos dois arcos.
Quando o arco de Camacan e o arco de Itaquê não fizeram mais que um, Ubirajara o empunhou na mão possante e mostrou-o ás nações:
—Abarés, chefes, moacaras e guerreiros de minhas nações, aqui está o arco de Ubirajara, o chefe dos grandes chefes. Suas flechas são gemeas, como as duas nações, e voam juntas.