Ubirajara escolheu mil guerreiros araguaias e mil guerreiros tocantins, com que saiu ao encontro dos tapuias.
Depois que desdobrou sua batalha pela campina, o chefe dos chefes caminhou só para o inimigo.
Quando chegava a meio do campo, os tapuias levantaram a pocema de guerra, que atroou os ares, como o estrépito da cachoeira.
Um turbilhão de setas crivou o longo escudo do heróe, que ficou semelhante ao grosso tronco da jussára, erriçado de espinhos.
Ubirajara embraçou o escudo na altura do hombro, e com o pé brandiu sete vezes a corda do grande arco gemeo.
As setas vermelhas e amarelas subiram direitas ao céu e se perderam nas nuvens.
Quando voltaram, Agniná e os chefes que obedeciam a seu arco, tinham cada um fincado na cabeça o dezafio do formidavel guerreiro.
Enfurecidos mais pelo insulto, do que pela dôr, arremessaram-se contra o inimigo que os esperava coberto com seu vasto escudo.
Agniná era o primeiro na corrida, e o primeiro na sanha. Após elle vinham os outros, a dois e dois, lutando na rapidez.
Quando o espozo de Arací viu que elles se estendiam pela campina, como dois ribeiros que se aproximam para confundir suas aguas, o heróe empunhou a lança de duas pontas e soltou seu grito de guerra que era como o bramir do jaguar, senhor da floresta.