Seu pé devorou o espaço; e a lança de duas pontas girou em sua mão, como a serpente que se enrosca nos ares silvando.
Caiu Agniná do primeiro bote; após elle caíram aos dois os chefes tapuias, como caem os juncos talhados pelo dente afiado da capivara.
Então o heróe soltou seu grito de triunfo, que era como o rujido do vento no dezerto:
—Eu sou Ubirajara, o senhor da lança, o guerreiro invencivel que tem por arma uma serpente.
«Eu sou Ubirajara, o senhor das nações, o chefe dos chefes, que varre a terra, como o vento do dezerto.»
O heróe estendeu a vista pela campina, e não descobriu mais o inimigo, que se sumia na poeira.
Ubirajara lançou-lhe seus guerreiros, que tinham fome de vingança; porém o terror de sua lança dava azas aos fujitivos.
Desde esse dia nunca mais um tapuia pizou as marjens do grande rio.